Assista: entrevista de Ana Estela Haddad sobre desenvolvimento infantil e o programa #sp95

Em programa de TV que foi ao ar dia 22 de fevereiro de 2017, o Observatório do Terceiro Setor, entrevistou Ana Estela Haddad, ex-coordenadora do Programa São Paulo Carinhosa, a respeito do desenvolvimento infantil, educação para igualdade e sobre a coordenação que realiza à frente do nosso programa SP95. O SP95 criou o blog A Cidade e a Criança, em parceria com o Instituto Brasiliana, e financiamento da Fundação Bernard van Leer (BVLF).

O SP95 é inspirado na solução Urban95, da BVLF, que estimula os gestores públicos a tornarem as cidades lugares mais amigáveis às crianças.

“Temos um projeto que decorreu de uma intervenção da São Paulo Carinhosa [programa da gestão municipal passada] na região do Glicério no centro da cidade, lá temos muitas famílias em situação de cortiço, que muitas vezes são piores do que a favela. É um aglomerado de pessoas onde falta privacidade, não tem espaço para brincar e estudar. É difícil para as crianças”, disse Ana Estela.

Ela continuou: “Esse trabalho acabou chamando a atenção de uma fundação que é a Fundação Bernard van Leer, uma fundação holandesa que há mais de 40 anos trabalha com a questão da infância em todo o mundo. E eles estão lançando um programa chamado Urban 95, que representa o espaço urbano a partir do olhar de uma criança que tem 95 centímetros de altura. […] Se uma cidade for boa para uma criança de 3 anos de idade ela será boa para todo mundo.”

Dessa experiência surgiu o SP 95, que conta com a parceria do Instituto Brasiliana que trabalha com arquitetura, cultura, desenvolvimento urbano e, agora, a questão da infância.

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5 milhões de crianças vivem em condições análogas à escravidão

Maria Fernanda Garcia via Observatório do 3o Setor

Dados do último Relatório Mundial sobre Trabalho Infantil, elaborado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), apontam números assustadores. 168 milhões de crianças realizam trabalho infantil no mundo, sendo que 120 milhões têm idades entre 5 e 14 anos. Além disso, quase 5 milhões de crianças vivem em condições análogas à escravidão.

Outro dado do levantamento é que entre 20% e 30% das crianças em países de baixa renda abandonam a escola e entram no mercado de trabalho até os 15 anos.

No Brasil, a situação não é diferente. Números apontam que 14,4% dos adolescentes entre 15 e 17 anos realizam trabalhos perigosos. Considerando o que essa porcentagem representa entre os jovens empregados, o índice sobe para quase 60%. A maioria trabalha na agricultura e na indústria, de acordo com a OIT.

O relatório mundial foi apresentado em 2015 e afirma que jovens que tenham sido sobrecarregados quando eram crianças são mais propensos a se contentar com empregos familiares não remunerados e baixos salários.

Outra pesquisa realizada pela OIT, entre 2006 e 2007, com o perfil dos principais envolvidos com o trabalho escravo no Brasil, mostrou que 92,6% dos entrevistados iniciaram sua vida profissional antes dos 16 anos. A idade média em que começaram a trabalhar era de 11,4 anos, mas 40% já trabalhavam antes dessa idade.