Crianças sírias sofrem com níveis alarmantes de trauma e angústia – relatório

Karen McVeigh, The Guardian

As crianças na Síria estão sofrendo de “stress tóxico”, uma forma severa de trauma psicológico que pode causar prejuízos vitalícios, de acordo com um estudo que mostra um aumento em tentativas de suicídio e auto-flagelação entre crianças.

 

Um relatório do Save the Children e suas agências parceiras na Síria pinta a cena das crianças do país, das quais 5.8 milhões necessitam de auxílio, por causa de uma guerra que chega em seu sexto ano semana que vem. Os autores e autoras do estudo, o maior do tipo a ser realizado durante um conflito, alertaram que a crise de saúde mental da nação havia alcançado um ponto alarmante, no qual “níveis alarmantes” de trauma e angustia entre as crianças poderiam causar danos permanentes e irreversíveis.

 

Mais de 70% das crianças entrevistadas experienciaram sintomas comuns de “stress tóxico” ou stress pós-traumático, como fazer xixi na cama, descobriu o estudo. Perda de fala, agressão e abuso de substâncias são comuns também. Cerca de 48% dos adultos relataram terem visto crianças que perderam a habilidade de falar ou que desenvolveram impedimentos de fala desde o início da guerra, de acordo com o relatório, entitulado Invisible Wounds (Feridas Invisíveis).

 

Mohammed, um voluntário da Shafak, parceiro da Save the Children em Idlib, disse que as crianças vivem em estado de constante ansiedade: “notamos que elas estão sempre estressadas e reagem a qualquer barulho estranho – se uma cadeira se move ou uma porta bate – por causa de seu medo do som de aviões e foguetes. As crianças estão cada vez mais isoladas e não gostam de participar em nossas atividades, e nas crianças mais novas estamos vendo muitos casos de urinação involuntária”.

 

Firas*, o pai de Saeed*, três anos, disse: “meu filho acorda com medo no meio da noite. Ele acorda gritando. Uma criança foi morta na frente dele, então ele começou a sonhar que alguém estava querendo matá-lo”.

 

A maioria das crianças entrevistadas mostrou sinais de “stress emocional severo” e 78% delas sentia luto e tristeza extrema algumas horas. O estudo focou em 458 crianças, adolescentes e adultos, e foi realizado entre dezembro de 2016 e fevereiro de 2017, em sete das 14 província da Síria. Também revelou:

 

  • 51% dos adultos entrevistados disseram que os adolescentes estão apostando nas drogas para lidar com o estress
  • 59% dos adultos disseram conhecer crianças e adolescentes que foram recrutados para grupos armados. Quase metade conhecia crianças que trabalham em checkpoints ou quartéis
  • Uma em cada quatro crianças está em riso de desenvolver um problema de saúde mental

 

Dos adultos questionados, 60% citou a perda da educação como um dos maiores impactos na vida diária de suas crianças. Desde que a guerra começou houve mais de 4.000 ataques à escolas na Síria, de acordo com a UNICEF.

 

As entrevistas, feitas pela equipe do Save the Children e por parceiros e psicólogos treinados, foram realizadas principalmente em áreas mantidas pela oposição, incluindo Aleppo, Damascus, Dara’a, Hasakah, Homs e Idlib. A organização não é capaz de operar em lugares mantidos pelo governo ou pelo Estado Islâmico (EI), mas a organização disse que os problemas vivenciados pelas crianças nessas áreas devem ser similares. Dois terços das crianças perderam um ente querido, teve sua casa bombardeada ou sofreu feridas de guerra.

 

Em Madaya, que está sitiada desde meados de 2015, a equipe médica relatou que ao menos seis crianças, a mais nova com 12 anos, e sete adultos tentaram suicídio em apenas dois meses.

 

Todos os grupos focados em crianças e 84% dos adultos citaram “um sentimento imenso de insegurança” como a maior causa dos altos níveis de stress entre as crianças.

 

Hala, uma professora em Madaya, disse: “as crianças preferiam estar mortas, e estar no céu quentinhas, alimentadas e brincando. Eles desejam ser feridas por um atirador, porque se forem feridas elas irão para o hospital e comerão o que quiserem”.

 

No entanto, mesmo com altos níveis de necessidade, em algumas regiões de mais de 1 milhão de pessoas, há somente um psiquiatra.

 

Alexandra Chen, especialista em proteção infantil e saúde mental da Universidade de Harvard, disse que o stress tóxico é a forma mais perigosa de resposta do stress, quando as crianças experienciam adversidades fortes e prolongadas sem um apoio adulto adequado.

 

“É provável que isso tenha um impacto vitalício e devatador na saúde mental e física dessas crianças, interrompendo o desenvolvimento do cérebro e outros órgãos e aumentando o risco de doenças do coração, abuso de substâncias, depressão e outros problemas de saúde mental na vida adulta”, disse Chen.

 

Ela disse que com o fim da violência e com o apoio certeiro, as crianças podem se recuperar.

“No entanto, a crise de saúde mental infantil está alcançam um ponto alarmante na Síria enquanto as estrutruas de apoio familiar e os serviços oficiais estão colapsando.”

 

O relatório pediu por um cessar fogo e para que todos os lados parem de usar armas explosivas em áreas populosas, escolas e hospitais, bem como o fim das táticas de isolamento, e acesso humanitário irrestrito à todas as áreas. Também pediu que doadores se comprometam em ajudar a saúde mental das crianças na Síria.

 

A doutora Márcia Brophy, conselheira psico-social para o Oriente Médio do Save the Children, disse: “arriscamos condenar uma geração de crianças a uma vida de problemas de saúde físicos e mentais. Precisamos nos assegurar que as crianças que já perderam seis anos de suas vidas para a guerra não tenham que perder seu futuro também”.

 

Cerca de 13.5 milhões de pessoas na Síria, incluindo 5.8 milhões de crianças, estão necessitando auxílio, disse o Save the Children. Cerca de 4.8 milhões de pessoas estão presas em áreas sitiadas e de difícil acesso.

 

Ao menos 250.000 pessoas morreram e 4. 9 milhões, sendo 2.3 milhões crianças, já saíram do país, a maioria para a Turquia, Jordânia, Líbano e Iraque.

 

 

*Nomes trocados para proteger identidades

Subjetificando a cidade amigável às crianças

Sven De Visscher, Child In The City

 

Em seu discurso ao Child in the City 2016, em Ghent, o urbanista e professor de serviço social, Sven De Visscher, fez a pergunta mais fundamental para esse movimento: o que é que torna uma cidade amigável para uma criança?

O que torna uma cidade (uma comunidade, um condado) amigável para com crianças? Em todos os nossos esforços para criar espaços amigáveis para as crianças, para organizar atividades amigáveis para as crianças, ou para defender agendas políticas amigáveis para com as crianças, às vezes ignoramos essa questão fundamental.

Há dois paradigmas que inspiram definições possíveis da cidade amigável à criança. O primeiro paradigma está enraizado na psicologia evolucionária e procura uma objetificação da cidade amigável em orientações gerais universais para proteger as crianças contra influências maliciosas do mundo moderno que são mais prolíficas nas cidades, e para remodelar a cidade ao nível da criança. Essa relação amigável entre a cidade e a criança aparece, nesse paradigma, como o resultado de intervenções profissionais na vida das crianças, com o melhor interesse delas em mente.

O segundo paradigma está enraizado na sociologia e na pedagogia crítica e mira em uma subjetificação da cidade amigável. De um modo, responde a uma falha no raciocínio do primeiro paradigma: quem tem o direito ou poder para determinar o que é do melhor interesse para a criança? O significado dessa relação amigável com a criança pode ser diferente para grupos sociais e culturais diferentes, e pode variar em tempo e espaço.

As crianças como cidadãs urbanas

Como resultado, a cidade amigável é tida como um processo de aprendizado compartilhado entre a criança e a sociedade, e procura promover a posição da criança como cidadã urbana. A relação amigável com a criança não é principalmente uma característica do resultado de intervenções profissionais, mas sim do processo pelo qual essas intervenções são moldadas. Para tornar essa ideia mais concreta, eu sugiro cinco ambições para as cidades amigáveis: reconhecer todas as crianças como como cidadãs urbanas; oferecer chances iguais para cada criança na cidade; envolver as crianças como co-pesquisadoras da vida urbana e da cidade; conectar os mundos das crianças e o resto da cidade; entender a cidade amigável como o resultado de um processo de aprendizado contínuo, aberto e compartilhado entre atores urbanos diferentes.

Essas são ambições; portanto, não orientações ou critérios. Cada uma das ambições propostas sugerem uma resposta às questões sobre o que uma cidade amigável deve contribuir na posição das crianças na cidade, e como deve afetar sua experiência de vivência na cidade.

Desse modo, talvez possamos alcançar uma estrutura para cuidar dessas cidades amigáveis que não seja normativa. Essa aproximação não entregará, talvez, objetivos estratégicos inteligentes ou resultados definidos. Pode, no entanto, convidar ao desenvolvimento de uma estratégia local e contextualizada para uma aproximação mais subjetiva no planejamento de uma cidade amigável com as crianças; uma que será única, refletindo a singularidade de sua comunidade e de suas crianças.

Foto: Charles Pieters

 

“Eu não quero tirar os meninos da rua, eu quero mudar a rua”

Ana Luiza Basílio, Centro de Referência em Educação Integral

É por entender a educação como um movimento plural que Tião Rocha defende que a escola seja um dos espaços promotores de aprendizagem, mas não o único. “A escola é meio; a educação é fim. Por isso, ela [a escola] não é mais importante do que as praças, os parques, o território“, atesta.

Para o educador, a rua é o lugar onde se vive a cidadania plena e as crianças e jovens não devem ser privados deste convívio durante seu desenvolvimento. “É o lugar da festa, da religiosidade, do carnaval, das nossas manifestações políticas. Por que queremos tirar os meninos dela em vez de a tornarmos um espaço de aprendizagem permanente, produtor de generosidade e solidariedade?”, questiona.

Em entrevista ao Centro de Referências em Educação Integral, o educador fala sobre a educação enquanto promotora do desenvolvimento integral dos estudantes, o papel da escola e a importância da formação docente nesta perspectiva e a necessidade do diálogo com o território, seus espaços e equipamentos. Confira o vídeo abaixo!

5 milhões de crianças vivem em condições análogas à escravidão

Maria Fernanda Garcia via Observatório do 3o Setor

Dados do último Relatório Mundial sobre Trabalho Infantil, elaborado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), apontam números assustadores. 168 milhões de crianças realizam trabalho infantil no mundo, sendo que 120 milhões têm idades entre 5 e 14 anos. Além disso, quase 5 milhões de crianças vivem em condições análogas à escravidão.

Outro dado do levantamento é que entre 20% e 30% das crianças em países de baixa renda abandonam a escola e entram no mercado de trabalho até os 15 anos.

No Brasil, a situação não é diferente. Números apontam que 14,4% dos adolescentes entre 15 e 17 anos realizam trabalhos perigosos. Considerando o que essa porcentagem representa entre os jovens empregados, o índice sobe para quase 60%. A maioria trabalha na agricultura e na indústria, de acordo com a OIT.

O relatório mundial foi apresentado em 2015 e afirma que jovens que tenham sido sobrecarregados quando eram crianças são mais propensos a se contentar com empregos familiares não remunerados e baixos salários.

Outra pesquisa realizada pela OIT, entre 2006 e 2007, com o perfil dos principais envolvidos com o trabalho escravo no Brasil, mostrou que 92,6% dos entrevistados iniciaram sua vida profissional antes dos 16 anos. A idade média em que começaram a trabalhar era de 11,4 anos, mas 40% já trabalhavam antes dessa idade.

O inverno é a mais recente ameaça às crianças na cidade devastada de Aleppo

Enquanto as pessoas continuam a fugir da cidade síria de Aleppo, a UNICEF está trabalhando para alcançar famílias desabrigadas com suprimentos que precisam para sobreviver ao inverno brutal. Algumas crianças se perderam ou se separaram de suas famílias, deixando-as ainda mais vulneráveis.

Shushan Mebrahtu e Basma Ourfali via UNICEF 

ALEPPO/DAMASCUS, República Árabe da Síria, 12 de dezembro de 2016 –  Cinco dias atrás, o Ahmed de 10 anos chegou em Jibreen, um distrito industrial na periferia de Aleppo. Os pais de Ahmed foram mortos no conflito que afeta a cidade. Ele e seus quatro irmãos não têm cuidadores.

Cerca de 6.200 pessoas que deixaram o conflito no leste de Aleppo estão agora se abrigando em um armazém deserto em Jibreen, dominado pelo frio.

Preocupação e fadiga são claramente visíveis na face de Ahmed. Suas mãos estão calejadas e suas roupas rasgadas. Como muitas crianças no abrigo, Ahmed passa boa parte de seu tempo coletando madeira para fogueira e se manter aquecido. Enfraquecido pelo frio, até essa tarefa simples é exaustiva. 

“Os meses de inverno são ainda mais brutais para as crianças dentro da Síria”, disse Hanaa Singer, representante da UNICEF na Síria, que acabou de voltar de Aleppo. “Eu vi crianças que fugiram de suas casas com somente suas roupas nas costas. Depois dos horrores que passaram, agora têm que lidar com o frio brutal”, ela adicionou.

A jornada para Jibreen estava extenuante para Rahaf de cinco anos, seu irmão de dois anos, Wael, e sua mãe, que fugiram de seu lar no leste de Aleppo. Sua mãe, uma viúva que sofreu uma ferida de estilhação na perna, teve que carregar seus filhos por hora até que pudedssem ser transportados de ônibus ao abrigo de Jibreen.

“Meus vizinhos me disseram que todos estavam deixando a área. Peguei minhas duas crianças na minha cadeira de rodas e saí do meu apartamento”, disse a mãe. “Foi extremamente difícil. Meus vizinhos me ajudaram a entrar no ônibus. É difícil acreditar que eu fui capaz de sair, e que minhas duas crianças ainda estão vivas”.

Para as crianças já enfraquecidas por meses de subnutrição e falta e assistência médica, o clima frio pode rapidamente levar à infecções respiratórias, hipotermia e outras complicações de saúde fatais.

Mais de 5,000 crianças nos abrigos de Jibreen já receberam kits de roupas de inverno da UNICEF.

Um sorriso iluminou os rostos de Ahmed, Rahaf e Wael quando viram uma caixa cheia de casacos, calças e tênis. Ahmed não tinha certeza que as roupas caberiam, mas dividiu outro sorriso radiante quando viu que as roupas eram do seu tamanho.

Ahmed, é uma das 64 crianças desacompanhadas e separadas identificadas pela UNICEF no abrigo. Arranjos alternativos de assistência foram alocados por parceiros locais para crianças como ele. Uma assistente social dedicada regularmente visita Ahmed e as outras crianças separadas no abrigo. Ahmed também participa das atividades de apoio psicosocial, produzido para ajudar as crianças a cooperarem com o horror e o trauma por que passaram. Durante essas atividades, eles acham momentos para brincar, cantar e ser crianças novamente.

A UNICEF e parceiros estão trabalhando para responder às necessidades daqueles que fugiram recentemente, bem como as 400.000 pessoas que foram desalojadas em Aleppo desde que o conflito começou.

Isso inclui o transporte de seis milhões de litros de água por dia para as famílias mais vulneráveis, incluindo as pessoas desalojadas e as comunidades hospedeiras em Jibreen e Hanano. Quase 10.000  crianças e mães adquiriram pólio, tétano e outras imunizações críticas. Avaliações de subnutrição  e tratamento continuam nos abrigos dos refugiados, em centros de assistência médica e com times de porta em porta. Consciência de higiene e campanhas de limpeza são contínuas nos abrigos em Jibreen.

“A resposta nunca pode ser o suficiente para as crianças que viveram quase seis anos de conflito”, disse Singer. “Precisamos de acesso imediato e contínuo para alcançar as crianças mais vulneráveis que permaneceram presas nas partes leste da cidade e nas outras áreas sitiadas na Síria.”

Foto: UNICEF / Rahaf de cinco anos e seu irmão de dois anos, Wael, sentam felizes ao lado de sua mãe com suas novas roupas de inverno. Estão entre as centenas de milhares de crianças que fugiram do conflito intenso ao leste de Aleppo.

A atitude dos homens na paternidade influencia no comportamento da criança, diz estudo

Pesquisas sugerem que problemas comportamentais antes da adolescência são menos recorrentes em crianças com pais confiantes que abraçam a paternidade

via Nicola Davis, The Guardian

Crianças de pais confiantes que abraçam a paternidade são menos propensas a mostrar problemas comportamentais antes da adolescência, pesquisas descobriram.

Estudo sugere que as atitudes do homem em relação à paternidade logo após o nascimento da criança, bem como seus sentimentos de segurança como pai e parceiro, são mais importantes que seu envolvimento com as tarefas da casa e com o cuidado com a criança em referência ao comportamento futuro da criança.

“É a conexão emocional e a responsabilidade emocional de ser um pai que importa quando falamos sobre os resultados futuros para a criança”, disse Maggie Redshaw, psicóloga de desenvolvimento e saúde na Universidade de Oxford e co-autora da pesquisa.

Escrevendo no BMJ Open, Redshaw e colegas da Universidade de Oxford  descrevem como exploraram a influência dos pais no comportamento de sua prole analisando dados do estudo longitudinal Avon de pais e crianças – um estudo de larga escala do Reino Unido que seguiu a saúde e desenvolvimento de milhares de crianças nascidas no início de 1990.

O estudo pediu que os pais completassem questionários em vários pontos da vida de seus filhos. Dentre as pesquisas, pediam que as mães avaliassem o comportamento de seus filhos com nove e 11 anos, com perguntas abordando várias questões incluindo as atitudes das crianças em relação à outras crianças, sua tendência para inquietude, se estavam dispostos a dividir seus brinquedos e sua confiança em situação estranhas.

Foi pedido que os pais completassem questionários sobre sua aproximação e sentimentos sobre a paternidade oito meses antes e depois do nascimento da criança, com perguntas incluindo a frequência com que ajudavam nas tarefas da casa, o quão confiantes se sentiam como pais, e se gostavam de passar tempo com o bebê. As respostas foram dadas em escala, e depois somadas.

Olhando os resultados de mais de 6.300 crianças que viviam com ambos os pais até ao menos os oito meses, os pesquisadores descobriram que as crianças cujos pais eram mais confiantes sobre a paternidade, e que eram mais positivos emocionalmente sobre seu papel, tinham menor probabilidade de mostrar problemas comportamentais aos nove e 11 anos. Em contraste, o nível com que os pais se envolvem com tarefas de casa e atividades com a criança aparentemente não tiveram influência.

Examinando as pontuações dos pais para repostas emocionais de seus bebês, levando em consideração fatores como o gênero da criança, tamanho da família e status econômico, descobriram que para cada questão a pontuação aumentava acima da média, a chance relativa de a criança ter sinais de problemas comportamentais diminuiu em 14%, e 11% aos nove e 11 anos, respectivamente. Similarmente, para cada aumento acima da média no senso de segurança na paternidade, as chances de a criança ter problemas comportamentais eram 13% e 11% mais baixo nas idades de nove e 11 anos, respectivamente.

Enquanto os autores admitiram que o estudo se baseou em um autorrelato, e que as atitudes parentais mudaram com os anos, Redshaw diz que o trabalho salienta o impacto de como os pais se sentem sobre seu papel no desenvolvimento infantil. “Faz parte da noção de que as primeiras experiências importam e que importam do ponto de vista de ambos os pais”, ela disse.

Iryna Culpin da Universidade de Bristol, que não estava envolvida no estudo, concorda. “Tradicionalmente, pesquisas em desenvolvimento infantil têm focado nas mães, sua maternidade e saúde mental, enquanto o papel dos pais é ignorado”, ela disse. A descoberta de que a percepção dos pais quanto ao seu papel e sua confiança como pai é uma importante influência pode ser muito valiosa quando falamos dos novos pais, ela adicionou. “Isso tem implicâncias significativas para as políticas, bem como para a paternidade e intervenções salutares que deveriam encorajar o envolvimento dos pais desde a primeira infância e ajudá-los a serem mais confiantes e envolvidos emocionalmente”, ela disse.

Foto: WikkiMedia Commons

Tradução: Isabela Campos Palhares