Assista: entrevista de Ana Estela Haddad sobre desenvolvimento infantil e o programa #sp95

Em programa de TV que foi ao ar dia 22 de fevereiro de 2017, o Observatório do Terceiro Setor, entrevistou Ana Estela Haddad, ex-coordenadora do Programa São Paulo Carinhosa, a respeito do desenvolvimento infantil, educação para igualdade e sobre a coordenação que realiza à frente do nosso programa SP95. O SP95 criou o blog A Cidade e a Criança, em parceria com o Instituto Brasiliana, e financiamento da Fundação Bernard van Leer (BVLF).

O SP95 é inspirado na solução Urban95, da BVLF, que estimula os gestores públicos a tornarem as cidades lugares mais amigáveis às crianças.

“Temos um projeto que decorreu de uma intervenção da São Paulo Carinhosa [programa da gestão municipal passada] na região do Glicério no centro da cidade, lá temos muitas famílias em situação de cortiço, que muitas vezes são piores do que a favela. É um aglomerado de pessoas onde falta privacidade, não tem espaço para brincar e estudar. É difícil para as crianças”, disse Ana Estela.

Ela continuou: “Esse trabalho acabou chamando a atenção de uma fundação que é a Fundação Bernard van Leer, uma fundação holandesa que há mais de 40 anos trabalha com a questão da infância em todo o mundo. E eles estão lançando um programa chamado Urban 95, que representa o espaço urbano a partir do olhar de uma criança que tem 95 centímetros de altura. […] Se uma cidade for boa para uma criança de 3 anos de idade ela será boa para todo mundo.”

Dessa experiência surgiu o SP 95, que conta com a parceria do Instituto Brasiliana que trabalha com arquitetura, cultura, desenvolvimento urbano e, agora, a questão da infância.

Assista e saiba mais:

Se o alimento é bom para a criança, é bom para todos!

Por Erika Fischer*

O grande valor dos alimentos orgânicos encontra-se exatamente em sua vocação natural de promover saúde , seja para quem produz, seja para quem consome, em contraponto ao modelo indutor de moléstias predominante na agricultura convencional.

E é ponto pacífico que o consumo contínuo de orgânicos precisa ocorrer desde a mais tenra idade e ser estimulado a partir do ambiente escolar, espaço privilegiado para a formação dos hábitos que irão perdurar ao longo da vida.

Esta foi a principal motivação para a criação da Lei 16140/15, que dispõe sobre a inclusão de alimentos orgânicos ou de base agroecológica no âmbito do Sistema Municipal de Educação de São Paulo.

O interessante é que, embora os reais benefícios de uma alimentação orgânica se evidenciem e se acumulem no curso de uma vida, (e sejam pouco visíveis no prazo de uma gestão de governo), alguns resultados socioambientais já estão materializados sob a proteção de uma política pública sólida, que assegura a continuidade dos esforços realizados para a efetividade da lei 16140/15.

Resultados das políticas públicas de alimentação

Em uma visita à região de Parelheiros , conduzida pelos produtores da cooperativa de agricultura orgânica COOPERAPAS, foi possível entender como o modelo de apoio intersecretarial promovido pela prefeitura ao fomento desse modelo de produção vem transformando o panorama regional, contribuindo, acima de tudo, para a conservação dos recursos naturais e para a preservação dos mananciais e garantindo as perspectivas do desenvolvimento rural sustentável naquele território.

 

captura-de-tela-2016-10-26-as-17-36-15
Ana Estela visita COOPERAPAS/ Foto: Eduardo Ogata

Comecemos do princípio: para apoiar a organização da cadeia produtiva a partir dos seus primeiros elos, foi criado o Programa Agriculturas Paulistanas, que oferece maquinário agrícola, assistência técnica aos agricultores/as, incluindo parceria com o INCRA para apoio na regularização fundiária, e uma “casa do agricultor” com unidade de armazenamento e distribuição dos produtos da cooperativa.

Graças a esse impulso fundamental, os agricultores alavancaram suas produções e foi possível a consumidores do exigente mercado gastronômico paulistano suprir parte da demanda de seus restaurantes com produtos orgânicos da cooperativa: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2016/07/1796981-paola-carosella-faz-parceria-com-agricultores-que-cultivam-organicos-em-sp.shtml

Além disso, a secretaria do trabalho tem sido parceira na remuneração de bolsas de trabalho (POT) para o Programa Hortas e Viveiros da Comunidade, contratando trabalhadores para a organização produtiva de diversas iniciativas comunitárias. Com apoio dos bolsistas desse programa foi possível alavancar , não muito longe de Parelheiros, o ponto de cultura alimentar da ONG Capão Cidadão, uma iniciativa pioneira, que reúne mulheres em torno da horta para trocas de saberes e produção de receitas culinárias.

captura-de-tela-2016-10-26-as-17-36-07
Ana Estela em roda de conversa com mulheres da Horta do ponto de cultura alimentar do Capão Cidadão/ Foto: Eduardo Ogata

 

Feiras e mercados alimentícios à serviço da população

Para dar conta da outra ponta da cadeia produtiva, o desafio da venda dos produtos está sendo enfrentado com o fomento à instalação de novas feiras de alimentos orgânicos e da agricultura familiar. São Paulo tem hoje cerca de 10 feiras especializadas em orgânicos além dos diversos espaços abertos pela iniciativa privada: http://aao.org.br/aao/onde-encontrar-organicos.php

Também foi dado forte impulso à revitalização dos mercados públicos municipais, entrepostos diretos entre o alimento e o consumidor, que andavam meio perdidos em meio a boxes de interesses distintos.

O Novo Mercado Público de Pinheiros, por exemplo, hoje mostra grande potencial pedagógico para a reflexão e a mudança de atitude em relação à produção, ao preparo e ao consumo de alimentos, por meio de espaços temáticos dos biomas brasileiros, que resgatam e preservam as tradições da cultura gastronômica brasileira. O projeto é parceria com instituto ATA.

Essas iniciativas, entre tantas outras consignadas no Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricionalse complementam para garantir que a produção agroecológica no nosso município e o consumo de alimentos saudáveis e seguros seja um processo sem volta, independente dos rumos que as futuras gestões de governo decidam adotar.

Uma conquista das nossas crianças, para toda nossa cidade!

Orgânicos na alimentação escolar das escolas paulistanas: afinal, que diferença isso faz?

A qualidade do Programa de alimentação escolar da cidade de SP vem melhorando de forma manifesta e irreversível. Isso é uma conquista que todos nós devemos celebrar com muito orgulho!

Mesmo diante da responsabilidade imensa de fornecimento de mais de 2 milhões de refeições todos os dias, a cidade de São Paulo, desde 2013 já vinha adotando a opção de privilegiar alimentos in natura em substituição aos alimentos ultra processados e de menor valor nutricional, em sintonia com o preconizado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira.

Os ultra processados, quando presentes no cardápio, frequentemente aparecem com formulações melhoradas. Um exemplo  é a redução de açúcares adicionados,(caso do bolinho do lanche, dos flocos de milho e dos compostos lácteos) ou o aumento na proporção de fibras, como nas barras de cereais.

Mas dentre as iniciativas relacionadas à melhoria da alimentação escolar, merece destaque a Lei Federal 11947/09, que determina que os gestores públicos privilegiem alimentos provenientes da agricultura familiar nas aquisições da alimentação escolar, exatamente porque a agricultura de base familiar é propulsora de um modelo de produção e consumo mais sustentável.

Além de dinamizar os arranjos produtivos locais, as chamadas públicas da agricultura familiar permitiram inovar na composição do cardápio das escolas. Por meio delas foi possível a introdução de alimentos típicos da culinária brasileira, como a farinha de mandioca, a carne suína, o fubá e mesmo a inserção de alimentos orgânicos. E essa experiência ocorreu exatamente com o arroz, item fundamental na alimentação escolar. Somente no período 2013/2015 foram adquiridas 4 mil toneladas de produção orgânica certificada dos tipos parbolizado e branco de arroz.

O alimento orgânico, isento de agrotóxicos, é benéfico à saúde e funciona como indutor de novos comportamentos, porque dissemina valores vinculados com consumo consciente, biodiversidade regional e alimentação sustentável!

Com o objetivo de consolidar definitivamente a estratégia de inserção de alimentos orgânicos nos cardápios escolares, elevando um projeto de governo a uma política de Estado, a cidade de São Paulo tem hoje a Lei Municipal n° 16.140/2015 que obriga a inclusão de alimentos orgânicos ou de base agroecológica na alimentação escolar.

O plano de ação para implementação da Lei da alimentação orgânica na rede municipal de ensino, a ser realizada gradativamente, foi construído de forma compartilhada, envolvendo técnicos da Coordenadoria de Alimentação Escolar, representantes da câmara dos vereadores e de organizações da sociedade civil e ampla consulta pública por meio da plataforma Cidade Aberta.

A alimentação orgânica escolar como tarefa principal

Esse plano de ação inova em várias frentes: estabelece metas progressivas para a aquisição dos alimentos orgânicos ou de base agroecológica; define estratégias para adequar o sistema de compras da agricultura familiar e dos pequenos e médios produtores; estimula a produção de orgânicos em âmbito municipal por meio de arranjos locais junto a agricultores familiares do município; desenvolve programas educativos de implantação de hortas escolares orgânicas e de base agroecológica, em consonância com a Política Municipal de Educação Ambiental e promove capacitações diversas para as equipes da Secretaria Municipal de Educação, para os prestadores de serviços terceirizados de alimentação e para os conselhos municipais de Alimentação Escolar (CAE)e de Segurança Alimentar e Nutricional (COMUSAN).

Tornar obrigatória a presença de alimentos orgânicos em um gigantesco programa de alimentação escolar é tarefa audaciosa e de longo prazo.

Mais ainda quando a legislação articula mecanismos para que o fornecimento desse universo de bons alimentos tenha origem em agricultores da nossa cidade, por tanto tempo esquecidos…

Aproveitamos este dia da alimentação escolar para saudar entusiasticamente a conquista e fazer votos de que essa lei não só atenda, mas ultrapasse todas as expectativas de suas metas.

*O lema “comida de verdade, no campo e na cidade” nomeou a última conferencia nacional de segurança alimentar e nutricional, em nov/15.

 

****

 

Filmes inspiradores que mostram a importância da alimentação orgânica:

 O Veneno está na mesa (I): Documentário dirigido por Silvio Tendler

O filme faz parte de um conjunto de materiais elaborados para a construção da Campanha permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.
O Brasil é o país do mundo que mais consome agrotóxicos: 5,2 litros/ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública.

O Veneno está na mesa (II): Documentário dirigido por Silvio Tendler

O Veneno Está Na Mesa 2 atualiza e avança na abordagem do modelo agrícola nacional atual e de suas consequências para a saúde pública. O filme apresenta experiências agroecológicas empreendidas em todo o Brasil, mostrando a existência de alternativas viáveis de produção de alimentos saudáveis, que respeitam a natureza, os trabalhadores rurais e os consumidores. 

Brasil Orgânico: Documentário dirigido por Kátia Klock e Lícia Brancher

Sobre a cadeia de alimentos orgânicos,  do produtor ao consumidor, em diferentes biomas brasileiros.

 

*Erika Fischer é integrante do programa São Paulo Carinhosa e ex-diretora do Departamento de Alimento Escolar (DAE) do município de São Paulo

Foto destacada: secretaria municipal de Educação de SP