O inverno é a mais recente ameaça às crianças na cidade devastada de Aleppo

Enquanto as pessoas continuam a fugir da cidade síria de Aleppo, a UNICEF está trabalhando para alcançar famílias desabrigadas com suprimentos que precisam para sobreviver ao inverno brutal. Algumas crianças se perderam ou se separaram de suas famílias, deixando-as ainda mais vulneráveis.

Shushan Mebrahtu e Basma Ourfali via UNICEF 

ALEPPO/DAMASCUS, República Árabe da Síria, 12 de dezembro de 2016 –  Cinco dias atrás, o Ahmed de 10 anos chegou em Jibreen, um distrito industrial na periferia de Aleppo. Os pais de Ahmed foram mortos no conflito que afeta a cidade. Ele e seus quatro irmãos não têm cuidadores.

Cerca de 6.200 pessoas que deixaram o conflito no leste de Aleppo estão agora se abrigando em um armazém deserto em Jibreen, dominado pelo frio.

Preocupação e fadiga são claramente visíveis na face de Ahmed. Suas mãos estão calejadas e suas roupas rasgadas. Como muitas crianças no abrigo, Ahmed passa boa parte de seu tempo coletando madeira para fogueira e se manter aquecido. Enfraquecido pelo frio, até essa tarefa simples é exaustiva. 

“Os meses de inverno são ainda mais brutais para as crianças dentro da Síria”, disse Hanaa Singer, representante da UNICEF na Síria, que acabou de voltar de Aleppo. “Eu vi crianças que fugiram de suas casas com somente suas roupas nas costas. Depois dos horrores que passaram, agora têm que lidar com o frio brutal”, ela adicionou.

A jornada para Jibreen estava extenuante para Rahaf de cinco anos, seu irmão de dois anos, Wael, e sua mãe, que fugiram de seu lar no leste de Aleppo. Sua mãe, uma viúva que sofreu uma ferida de estilhação na perna, teve que carregar seus filhos por hora até que pudedssem ser transportados de ônibus ao abrigo de Jibreen.

“Meus vizinhos me disseram que todos estavam deixando a área. Peguei minhas duas crianças na minha cadeira de rodas e saí do meu apartamento”, disse a mãe. “Foi extremamente difícil. Meus vizinhos me ajudaram a entrar no ônibus. É difícil acreditar que eu fui capaz de sair, e que minhas duas crianças ainda estão vivas”.

Para as crianças já enfraquecidas por meses de subnutrição e falta e assistência médica, o clima frio pode rapidamente levar à infecções respiratórias, hipotermia e outras complicações de saúde fatais.

Mais de 5,000 crianças nos abrigos de Jibreen já receberam kits de roupas de inverno da UNICEF.

Um sorriso iluminou os rostos de Ahmed, Rahaf e Wael quando viram uma caixa cheia de casacos, calças e tênis. Ahmed não tinha certeza que as roupas caberiam, mas dividiu outro sorriso radiante quando viu que as roupas eram do seu tamanho.

Ahmed, é uma das 64 crianças desacompanhadas e separadas identificadas pela UNICEF no abrigo. Arranjos alternativos de assistência foram alocados por parceiros locais para crianças como ele. Uma assistente social dedicada regularmente visita Ahmed e as outras crianças separadas no abrigo. Ahmed também participa das atividades de apoio psicosocial, produzido para ajudar as crianças a cooperarem com o horror e o trauma por que passaram. Durante essas atividades, eles acham momentos para brincar, cantar e ser crianças novamente.

A UNICEF e parceiros estão trabalhando para responder às necessidades daqueles que fugiram recentemente, bem como as 400.000 pessoas que foram desalojadas em Aleppo desde que o conflito começou.

Isso inclui o transporte de seis milhões de litros de água por dia para as famílias mais vulneráveis, incluindo as pessoas desalojadas e as comunidades hospedeiras em Jibreen e Hanano. Quase 10.000  crianças e mães adquiriram pólio, tétano e outras imunizações críticas. Avaliações de subnutrição  e tratamento continuam nos abrigos dos refugiados, em centros de assistência médica e com times de porta em porta. Consciência de higiene e campanhas de limpeza são contínuas nos abrigos em Jibreen.

“A resposta nunca pode ser o suficiente para as crianças que viveram quase seis anos de conflito”, disse Singer. “Precisamos de acesso imediato e contínuo para alcançar as crianças mais vulneráveis que permaneceram presas nas partes leste da cidade e nas outras áreas sitiadas na Síria.”

Foto: UNICEF / Rahaf de cinco anos e seu irmão de dois anos, Wael, sentam felizes ao lado de sua mãe com suas novas roupas de inverno. Estão entre as centenas de milhares de crianças que fugiram do conflito intenso ao leste de Aleppo.

A atitude dos homens na paternidade influencia no comportamento da criança, diz estudo

Pesquisas sugerem que problemas comportamentais antes da adolescência são menos recorrentes em crianças com pais confiantes que abraçam a paternidade

via Nicola Davis, The Guardian

Crianças de pais confiantes que abraçam a paternidade são menos propensas a mostrar problemas comportamentais antes da adolescência, pesquisas descobriram.

Estudo sugere que as atitudes do homem em relação à paternidade logo após o nascimento da criança, bem como seus sentimentos de segurança como pai e parceiro, são mais importantes que seu envolvimento com as tarefas da casa e com o cuidado com a criança em referência ao comportamento futuro da criança.

“É a conexão emocional e a responsabilidade emocional de ser um pai que importa quando falamos sobre os resultados futuros para a criança”, disse Maggie Redshaw, psicóloga de desenvolvimento e saúde na Universidade de Oxford e co-autora da pesquisa.

Escrevendo no BMJ Open, Redshaw e colegas da Universidade de Oxford  descrevem como exploraram a influência dos pais no comportamento de sua prole analisando dados do estudo longitudinal Avon de pais e crianças – um estudo de larga escala do Reino Unido que seguiu a saúde e desenvolvimento de milhares de crianças nascidas no início de 1990.

O estudo pediu que os pais completassem questionários em vários pontos da vida de seus filhos. Dentre as pesquisas, pediam que as mães avaliassem o comportamento de seus filhos com nove e 11 anos, com perguntas abordando várias questões incluindo as atitudes das crianças em relação à outras crianças, sua tendência para inquietude, se estavam dispostos a dividir seus brinquedos e sua confiança em situação estranhas.

Foi pedido que os pais completassem questionários sobre sua aproximação e sentimentos sobre a paternidade oito meses antes e depois do nascimento da criança, com perguntas incluindo a frequência com que ajudavam nas tarefas da casa, o quão confiantes se sentiam como pais, e se gostavam de passar tempo com o bebê. As respostas foram dadas em escala, e depois somadas.

Olhando os resultados de mais de 6.300 crianças que viviam com ambos os pais até ao menos os oito meses, os pesquisadores descobriram que as crianças cujos pais eram mais confiantes sobre a paternidade, e que eram mais positivos emocionalmente sobre seu papel, tinham menor probabilidade de mostrar problemas comportamentais aos nove e 11 anos. Em contraste, o nível com que os pais se envolvem com tarefas de casa e atividades com a criança aparentemente não tiveram influência.

Examinando as pontuações dos pais para repostas emocionais de seus bebês, levando em consideração fatores como o gênero da criança, tamanho da família e status econômico, descobriram que para cada questão a pontuação aumentava acima da média, a chance relativa de a criança ter sinais de problemas comportamentais diminuiu em 14%, e 11% aos nove e 11 anos, respectivamente. Similarmente, para cada aumento acima da média no senso de segurança na paternidade, as chances de a criança ter problemas comportamentais eram 13% e 11% mais baixo nas idades de nove e 11 anos, respectivamente.

Enquanto os autores admitiram que o estudo se baseou em um autorrelato, e que as atitudes parentais mudaram com os anos, Redshaw diz que o trabalho salienta o impacto de como os pais se sentem sobre seu papel no desenvolvimento infantil. “Faz parte da noção de que as primeiras experiências importam e que importam do ponto de vista de ambos os pais”, ela disse.

Iryna Culpin da Universidade de Bristol, que não estava envolvida no estudo, concorda. “Tradicionalmente, pesquisas em desenvolvimento infantil têm focado nas mães, sua maternidade e saúde mental, enquanto o papel dos pais é ignorado”, ela disse. A descoberta de que a percepção dos pais quanto ao seu papel e sua confiança como pai é uma importante influência pode ser muito valiosa quando falamos dos novos pais, ela adicionou. “Isso tem implicâncias significativas para as políticas, bem como para a paternidade e intervenções salutares que deveriam encorajar o envolvimento dos pais desde a primeira infância e ajudá-los a serem mais confiantes e envolvidos emocionalmente”, ela disse.

Foto: WikkiMedia Commons

Tradução: Isabela Campos Palhares

Marllen canta contra depressão pós-parto

via O País

Veja o clipe aqui

A cantora moçambicana Marllen, a Preta Negra, lançou há cerca de um mês a música “Ser mãe”, onde aborda a questão da depressão pós-parto e a pressão que a sociedade faz sobre a mulher.

Marllen diz ter-se inspirado em si própria para escrever a letra. “Quando o meu segundo filho estava com quatro meses, as pessoas chamavam-me gorda. Diziam que eu deveria emagrecer, se não o meu marido ia deixar-me”, explicou.

Ela acrescenta que também percebeu que estava acima do peso, mas tinha a consciência de que aquele momento não era o ideal para entrar em uma dieta, pois isso poderia afectar a amamentação.

Diante dessa situação, a cantora viu-se obrigada a tomar uma atitude para não entrar em depressão. Com apoio do seu esposo aceitou a sua nova realidade e decidiu cantar para ajudar as mulheres a lidar com as mudanças.

No vídeo da música “Ser mãe” conta-se a estória de uma mulher que depois de dar a luz ganhou muito peso, perdeu a auto-estima e consequentemente, cortou a amamentação. No entanto, é aconselhada e encara a situação de um modo positivo.

Recorde-se que após o nascimento do primeiro filho, Marllen compôs uma música onde retratava a alegria de ser mãe e que lhe valeu o prémio de melhor música ligeira em 2015 no Mozambique Music Awards (MMA).

Sobre o balanço de 2016, a Preta negra diz ter sido um ano positivo, visto que a sua família ganhou mais um membro.

Para 2017, Marllen diz ter projetos agendados, mas é extremamente cautelosa e prefere não dar detalhes.

No ar: videorreportagem sobre o programa de visita domiciliar da São Paulo Carinhosa

Já está concluída a edição do vídeo preparado pela equipe do A Cidade e a Criança sobre o Seminário de Apresentação das Experiências do Programa de Visita Domiciliar com Foco na Primeira Infância, realizado no início do mês, na Prefeitura de São Paulo, encabeçado por Ana Estela Haddad, coordenadora do programa de atenção à Primeira Infância no município, São Paulo Carinhosa e pela secretaria municipal de Saúde (SMS) e pelo Ministério da Saúde (MS).

Este vídeo narra o surgimento e maturação do programa de visita domiciliar infantil criado na cidade de São Paulo sob a coordenação de Ana Estela Haddad, da SMS e com apoio do MS. De acordo com dados da prefeitura, o programa conta com 1500 profissionais que atendem mais de 63 mil famílias nos 10 territórios mais vulneráveis do município. A região do Glicério, no centro, conhecida por seus cortiços, que são considerados formas de moradia mais vulneráveis que as favelas, é um desses.

Segundo Ana Estela Haddad, “lá no Glicério houve uma articulação da supervisão de saúde da região, da diretoria regional de educação (DRE) e dos serviços de assistência social, então esses profissionais começaram a ir mais a campo. A visita domiciliar fez todo um referenciamento dessas famílias, um diagnóstico da caracterização das famílias, referenciando todos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). E isso está sendo feito em um trabalho conjunto com a comunidade do território, estimulando o pertencimento e o desenvolvimento urbano na região”.

O vídeo contém importantes relatos de figuras como Thereza de Lamare, coordenadora da Saúde da Criança e do Aleitamento Materno no Ministério da Saúde, que disse: “fiquei encantada com toda estratégia e metodologia do programa, deu para perceber a densidade do programa [que tem previsão de verbas até 2018]. Saio daqui com uma responsabilidade muito grande de manter esse projeto e levá-lo adiante”.

O programa tem como objetivo implementar e intensificar a visita dos agente de saúde nas casas com crianças até seis anos e trouxe formação e materiais complementares para os profissionais que realizam as visitas domiciliares, como o caderno da família, cartilha sobre violência e saúde bucal e brinquedos que avaliam o desenvolvimento das crianças.

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Foto Eduardo Ogata/SP Carinhosa

No extremo leste da capital, na Cidade Tiradentes, o índice de mortalidade infantil caiu de 18 para 13%, ao passo que no município por completo, a diminuição foi de 11,2% em cada grupo de mil crianças nascidas em 2014, para 10,8% em 2015.

No Seminário, a Neide, participante do programa, mãe do Henrique, disse que “gostou do fato de o programa retomar brincadeiras antigas de sua época sem focar na tecnologia” e agradeceu à equipe do programa, dizendo esperar que se filho cresça um homem de muito caráter com oportunidades que, infelizmente, para ela faltaram.

Veja o vídeo do Seminário abaixo:

A atenção com a família nas visitas domiciliares na São Paulo Carinhosa

via , Jornal GGN

Na semana passada, um seminário realizado pela prefeitura de São Paulo apresentou os resultados e experiências do Programa de Visita Domiciliar com foco na Primeira Infância, parte da São Paulo Carinhosa.

De acordo com a prefeitura, 1500 profissionais atendem mais de 63 mil famílias em dez territórios da capital paulista, que foram escolhidos de acordo com dados de vulnerabilidade social.

O objetivo é implementar e intensificar as visitas de agentes de saúde com crianças até seis anos de idade, e também existem ações para o aprimoramento de espaços para as crianças brincarem e ampliação de atividades culturais nos bairros com indicadores sociais de risco às crianças.

Ana Estela Haddad, primeira-dama e coordenadora da São Paulo Carinhosa, explicou que o programa trouxe formação e materiais complementares para os profissionais que realizam as visitas domiciliares.

Entre os pontos destacados no seminário, está a redução da mortalidade infantil em São Paulo, com destaque para Cidade Tiradentes, na zona leste da capital. Lá a redução da mortalidade saiu de 18% para 13%.

Celia Bortoletto, secretária-adjunta de Saúde da cidade, destacou que, em toda a cidade, a mortalidade infantil caiu de 11,2 óbitos, em cada grupo de mil crianças nascidas em 2014, para 10,8 óbitos em 2015.

“A mãe precisa de uma rede social de apoio para que possa cuidar e fazer um bom vínculo com a criança, fazendo com que esse ambiente e a relação dele com quem cuida seja promotora do desenvolvimento infantil de forma integral”, destacou Ana Estela.

Também presente no evento, Thereza de Lamare, coordenadora de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, lembrou que o programa paulistano é apoiado pelo governo federal desde 2013 e que tem previsão de verbas até 2018.

“O que vocês construíram aqui foi uma aposta que foi feita na área da saúde da criança, em um dos eixos que a gente considera principais, que é a promoção de desenvolvimento infantil”, afirmou.

 

Thereza disse também sobre intenção de levar as experiências do programa para todo o país, colaborando com o programa federal Criança Feliz. Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social, o programa tem o objetivo de começar pelos municípios e estados que possuem iniciativas de visita domiciliar.

 

Um dos pontos principais do São Paulo Carinhosa é a intersetorialidade, que envolve diversas secretarias municipais em um esforço conjunto. “Saúde não é só assistência, é muito mais do que isso, é trabalhar com todo mundo para que a gente possa ter uma cidade melhor”, ressaltou Célia Bortolleto.

 

Além da capacitação, os profissionais recebem também um kit, que inclui o caderno da família, material sobre violência, saúde bucal e brinquedos, que são utilizados para avaliar o desenvolvimento da criança.

 

Outro ponto destacado é que as equipes que fazem o acompanhamento das famílias são formadas por pessoas da própria comunidade, que tem um conhecimento prévio do território e suas potencialidades e necessidades.

 

Criada em agosto de 2013, no início da gestão de Fernando Haddad (PT) na prefeitura paulista, a Política Municipal São Paulo Carinhosa pretende promover o desenvolvimento infantil integral, fortalecendo os vínculos afetivos familiares, levando em consideração a ligação da criança com a escola, a família, a comunidade e os serviços de saúde e de assistência.

 

Experiências

Catarina dos Prazeres, que trabalha como agente comunitária de saúde há seis anos em Cidade Tiradentes, já realizava visitas domiciliares antes do São Paulo Carinhosa. Ela conta que o programa ampliou sua visão enquanto agente comunitária, trazendo um olhar mais detalhado para as crianças e para toda a família.

“Nós observamos toda a estrutura da família, as crianças que estão chegando, os bebês recém-nascidos, adolescentes, e conseguimos perceber um comportamento que a família não consegue”, diz. “O programa conseguiu ampliar essa visão para que a gente, percebendo esse diferencial na criança, pudesse levar isso para a equipe, discutir aquela situação, e, de forma que não é ser invasiva, mostrar essa percepção para toda a família”.

Biblioteca Mário de Andrade convida comunidade a finalizar sua sala infantil

Crowdfunding lançado dia 23.11 vai inaugurar espaço exclusivo para as crianças na maior Biblioteca Pública de São Paulo.
via Assessoria de Comunicação Em Foco

Após o sucesso da programação infantil da Biblioteca Mário de Andrade ao longo de 2016, a novidade é a inauguração de um espaço na BMA voltado exclusivamente ao público infantil. A sala de crianças denominada A Flor Amarela, em homenagem ao poema homônimo de Cecília Meireles, publicado em Ou Isto ou Aquilo, pretende ser um lugar onde se desenvolvam atividades que estimulem a criatividade e a imaginação infantil.

Todo o projeto executivo já está pronto, inclusive com móveis desenhados especialmente para as crianças pelo conceituado escritório de arquitetura “Ovo”. Para ser concluído, passará por um processo de crowdfunding, o que tornará a iniciativa uma experiência inédita nesses moldes no Brasil.

A campanha foi lançada no dia 23 de novembro e terá 60 dias de duração, ou seja, as doações serão aceitas até 22 de janeiro de 2017 e a intenção é arrecadar R$ 160 mil até lá. A expectativa é obter cerca de 40% do valor total da implantação final do projeto, que corresponde à fabricação de móveis e adequação do espaço.

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A sala Flor Amarela

 

Iniciativa transformadora e revolucionária, a sala A Flor Amarela inova por duas razões: primeiro porque é a primeira vez, em 91 anos de existência, que a Biblioteca Mário de Andrade terá um espaço voltado às crianças (até pouco tempo era necessário autorização especial para que crianças pudessem retirar livros na BMA), segundo porque é a primeira vez que a instituição promove uma campanha de arrecadação de recursos para a realização de um projeto.

Entre os artistas que colaboraram com as recompensas do crowdfunding, ou seja, ofereceram suas obras para a realização da iniciativa, destacam-se Maria Bonomi, Antonio Helio Cabral, Ermelindo Nardin, Francisco Maringelli, João Luiz Musa, Sylvia Soares e São Queiroz, além do diretor da instituição, Luiz Armando Bagolin.

Na opinião de Bagolin, ter a chancela da população será importante para Biblioteca e indicaria como os usuários e apoiadores enxergam o equipamento público disponibilizado, e como essa relação pode ser fortalecida.

“Estamos chamando a todos para participar de um projeto que amplia a atuação da Biblioteca Mário de Andrade para o público infantil. Ao receber essas contribuições, teremos respaldo para justificar a construção do espaço”, explica. “Isso nunca havia sido imaginado antes. Poderá significar um avanço muito importante na relação dos espaços públicos com a população”,

A captação de recursos por meio de financiamento coletivo será responsável pela complementação a recursos que serão disponibilizados pela própria BMA e por instituições apoiadoras, tais como editoras e instituições financeiras. As contribuições variam de R$ 15 a R$ 2.000 e haverá contrapartida para todas as cotas, desde calendários e marcadores de páginas exclusivos, cartazes, livros de arte e literatura, fotografias originais e gravuras de grandes artistas brasileiros.

Contrapartidas:

R$10,00: Cartão virtual de agradecimentoR$15,00: Calendário BMA A3

R$25,00: Caderninho + marcador de páginas

R$50,00: Caderninho + calendário BMA A2 + ecobag + marcador de páginas

R$60,00: Livro infantil + marcador de páginas

R$70,00: Revista BMA n. 69 Obscena + marcador de página

R$85,00: Exemplar do livro Shakespeare 450 anos + marcador de páginas

R$600,00: Revista BMA 69 + Eu + Revistas do Modernismo + marcador de páginas

R$40,00: Oficina de encadernação ABER – Flag Book. Oficina de encadernação para crianças de 6 a 12 anos, com 1h30 de duração. As crianças serão incentivadas a criar um flag book de papel com o uso de dobraduras e cola, modelo da encadernadora alemã Hedi Kyle. Possibilidade de escolha entre seis datas disponíveis.

R$60,00: Oficina de encadernação ABER – Estrutura Cruzada. Oficina de encadernação para adultos, com 2h de duração. O curso será dedicado à prática de encadernação sem uso de cola em que a costura fica exposta na lombada. Os alunos realizarão a estrutura cruzada de Carmencho Arregui em papel. Haverá emissão de certificado. Possibilidade de escolha entre três datas disponíveis.

R$60,00: Oficina de encadernação ABER – Yamato Toji (Butterfly). Oficina de encadernação para adultos, com 2h de duração. O curso será dedicado à prática de encadernação sem uso de cola em que a costura fica escondida dentro de uma capa dobrada. Os alunos realizarão a costura japonesa Yamato Toji com pares de agulhas. Haverá emissão de certificado. Possibilidade de escolha entre três datas disponíveis.

R$ 800 à 4.500,00: Obras de artistas selecionados

Três anos depois de decisão do CNJ sobre casamento gay, uniões aumentam 51%

Por Luiza Fariello
Agência CNJ de Notícias

“Legal!”. Foi a reação de um menino de sete anos quando soube que o jornalista Gilberto Scofield, pai de seu colega, era casado com outro homem. A naturalidade da resposta evidencia não apenas uma mudança geracional, mas a conquista de um direito que ganhou respaldo há três anos com a aprovação, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da Resolução 175, que impede os cartórios brasileiros de se recusarem a converter uniões estáveis homoafetivas em casamento civil. De lá para cá, as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo aumentaram 51,7%, de acordo com a pesquisa “Estatísticas do Registro Civil 2015”, divulgada nesta quinta-feira (24/11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa é resultado da coleta de informações prestadas pelos cartórios de registro civil, varas de família, foros ou varas cíveis e tabelionatos de notas do país em 2015. Conforme as estatísticas apresentadas pelo IBGE, as uniões entre cônjuges de sexos diferentes aumentaram 2,7%, enquanto as entre cônjuges do mesmo sexo aumentaram 15,7%, representando 0,5% do total de casamentos registrados. Isso significa que o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi quase cinco vezes maior do que entre homens e mulheres em 2015, ainda que em números absolutos tenha havido 1.131.707 casamentos entre pessoas de sexos opostos e 5.614 entre pessoas do mesmo sexo. A maior parte dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo foi no Sudeste (3.077), seguida da Região Nordeste (1.047).

A Resolução 175 do CNJ passou a proibir as autoridades competentes de se recusarem a habilitar, celebrar casamento civil ou de converter união estável em casamento entre pessoas do mesmo sexo. Caso algum cartório não cumpra a norma, o casal interessado pode levar o caso ao juiz corregedor daquela comarca para que ele determine o cumprimento da medida. Além disso, pode ser aberto um processo administrativo contra o oficial que se negou a celebrar ou reverter a união estável em casamento.

Cidadania e igualdade – No mesmo ano em que foi aprovada a Resolução 175 do CNJ, o professor da Universidade Nacional de Brasília (UNB) Carlos Eduardo dos Santos, conseguiu realizar o casamento civil em regime de comunhão universal de bens com seu companheiro de mais de 20 anos. Mesmo com o respaldo da resolução do CNJ, o professor procurou uma juíza com tradição em não “criar problemas” com casamentos homoafetivos. “É um exercício de cidadania, faz com que você se sinta igualitário às demais pessoas, além da facilidade para questões práticas como o convênio médico e herança”, afirmou Carlos Eduardo. No mesmo ano, eles adotaram três irmãos e, no ano seguinte, mais um – atualmente as quatro crianças têm 4,6,8 e 10 anos de idade. “Tivemos a felicidade de conseguir fazer a adoção do grupo de irmãos e nunca enfrentamos problemas por termos feito adoções tardias”, contou.

Outros preconceitos – “Não se trata de um direito gay, mas de um direito humano”, disse o jornalista Gilberto Scofield, casado com seu companheiro, com quem está unido há treze anos. Os dois são pais de um menino de sete anos, adotado há três que, segundo Scofield, nunca passou por preconceito pelo fato de ter dois pais, mas já enfrentou episódio de preconceito racial por ser negro. Outro dia o jornalista estava na piscina de um clube que frequenta no Rio de Janeiro com seu filho e ouviu de dois adolescentes que o clube estava mudando “agora tem até preto”. Da mesma forma, o professor Carlos Eduardo conta que os filhos nunca enfrentaram preconceito por terem dois pais, mas diz que com frequência enfrenta situações de racismo com as crianças, que também são negras. Ele afirma que quando a família vai ao shopping ou a uma exposição, é comum que os filhos se dispersem um pouco e logo algum segurança venha “rodeá-los”.

Foto: Família de Carlos Eduardo dos Santos / Arquivo pessoal