A atitude dos homens na paternidade influencia no comportamento da criança, diz estudo

Pesquisas sugerem que problemas comportamentais antes da adolescência são menos recorrentes em crianças com pais confiantes que abraçam a paternidade

via Nicola Davis, The Guardian

Crianças de pais confiantes que abraçam a paternidade são menos propensas a mostrar problemas comportamentais antes da adolescência, pesquisas descobriram.

Estudo sugere que as atitudes do homem em relação à paternidade logo após o nascimento da criança, bem como seus sentimentos de segurança como pai e parceiro, são mais importantes que seu envolvimento com as tarefas da casa e com o cuidado com a criança em referência ao comportamento futuro da criança.

“É a conexão emocional e a responsabilidade emocional de ser um pai que importa quando falamos sobre os resultados futuros para a criança”, disse Maggie Redshaw, psicóloga de desenvolvimento e saúde na Universidade de Oxford e co-autora da pesquisa.

Escrevendo no BMJ Open, Redshaw e colegas da Universidade de Oxford  descrevem como exploraram a influência dos pais no comportamento de sua prole analisando dados do estudo longitudinal Avon de pais e crianças – um estudo de larga escala do Reino Unido que seguiu a saúde e desenvolvimento de milhares de crianças nascidas no início de 1990.

O estudo pediu que os pais completassem questionários em vários pontos da vida de seus filhos. Dentre as pesquisas, pediam que as mães avaliassem o comportamento de seus filhos com nove e 11 anos, com perguntas abordando várias questões incluindo as atitudes das crianças em relação à outras crianças, sua tendência para inquietude, se estavam dispostos a dividir seus brinquedos e sua confiança em situação estranhas.

Foi pedido que os pais completassem questionários sobre sua aproximação e sentimentos sobre a paternidade oito meses antes e depois do nascimento da criança, com perguntas incluindo a frequência com que ajudavam nas tarefas da casa, o quão confiantes se sentiam como pais, e se gostavam de passar tempo com o bebê. As respostas foram dadas em escala, e depois somadas.

Olhando os resultados de mais de 6.300 crianças que viviam com ambos os pais até ao menos os oito meses, os pesquisadores descobriram que as crianças cujos pais eram mais confiantes sobre a paternidade, e que eram mais positivos emocionalmente sobre seu papel, tinham menor probabilidade de mostrar problemas comportamentais aos nove e 11 anos. Em contraste, o nível com que os pais se envolvem com tarefas de casa e atividades com a criança aparentemente não tiveram influência.

Examinando as pontuações dos pais para repostas emocionais de seus bebês, levando em consideração fatores como o gênero da criança, tamanho da família e status econômico, descobriram que para cada questão a pontuação aumentava acima da média, a chance relativa de a criança ter sinais de problemas comportamentais diminuiu em 14%, e 11% aos nove e 11 anos, respectivamente. Similarmente, para cada aumento acima da média no senso de segurança na paternidade, as chances de a criança ter problemas comportamentais eram 13% e 11% mais baixo nas idades de nove e 11 anos, respectivamente.

Enquanto os autores admitiram que o estudo se baseou em um autorrelato, e que as atitudes parentais mudaram com os anos, Redshaw diz que o trabalho salienta o impacto de como os pais se sentem sobre seu papel no desenvolvimento infantil. “Faz parte da noção de que as primeiras experiências importam e que importam do ponto de vista de ambos os pais”, ela disse.

Iryna Culpin da Universidade de Bristol, que não estava envolvida no estudo, concorda. “Tradicionalmente, pesquisas em desenvolvimento infantil têm focado nas mães, sua maternidade e saúde mental, enquanto o papel dos pais é ignorado”, ela disse. A descoberta de que a percepção dos pais quanto ao seu papel e sua confiança como pai é uma importante influência pode ser muito valiosa quando falamos dos novos pais, ela adicionou. “Isso tem implicâncias significativas para as políticas, bem como para a paternidade e intervenções salutares que deveriam encorajar o envolvimento dos pais desde a primeira infância e ajudá-los a serem mais confiantes e envolvidos emocionalmente”, ela disse.

Foto: WikkiMedia Commons

Tradução: Isabela Campos Palhares